Tecnologia
Agentes Chips e uma nova Apple
O setembro que pode redesenhar a tecnologia
01 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

Agentes, chips e uma nova Apple: o setembro que pode redesenhar a tecnologia
Agosto de 2026 termina deixando um recado importante: a corrida tecnológica mudou de escala. Inteligência artificial, chips, data centers, energia, segurança e regulação deixaram de ser discussões separadas e passaram a fazer parte de uma mesma transformação.
A Nvidia anunciou um investimento de US$ 3,5 bilhões na MediaTek, enquanto gigantes da tecnologia e do mercado financeiro avançaram em estruturas para financiar a expansão da infraestrutura de inteligência artificial. Na Europa, uma nova etapa do AI Act trouxe novas obrigações e colocou transparência, responsabilidade e confiança ainda mais perto do centro da discussão.
O mercado financeiro também continuou aproximando o universo dos ativos digitais das estruturas tradicionais. No Brasil, eventos como Rio Innovation Week, Febraban Tech e Startup Summit mostraram que a conversa amadureceu. Já não estamos apenas perguntando o que a inteligência artificial consegue fazer. Empresas querem descobrir como colocá la para trabalhar.
Se agosto construiu parte dessa infraestrutura e estabeleceu novas regras, setembro começa com uma pergunta muito mais interessante: o que acontece quando toda essa tecnologia começa a chegar de maneira ainda mais concreta aos produtos, às empresas e à vida das pessoas?
Setembro começa com uma nova Apple
Poucas empresas representam tão bem as grandes mudanças da tecnologia quanto a Apple.
E setembro começa com uma transformação histórica dentro da companhia. John Ternus assume oficialmente o comando da Apple em 1º de setembro, sucedendo Tim Cook, que passa à função de Executive Chairman.
O novo CEO praticamente não terá tempo para adaptação. Em 9 de setembro, acontece o grande evento de produtos da empresa, colocando Ternus imediatamente diante de sua primeira grande vitrine global.
Naturalmente, os novos iPhones estarão no centro das atenções. Existem também expectativas sobre novos formatos de dispositivos e uma possível entrada da companhia no mercado de smartphones dobráveis, embora esses produtos ainda pertençam ao campo das expectativas e dos rumores.
Mas existe uma pergunta muito mais importante do que descobrir o tamanho da tela ou quantas câmeras estarão no próximo iPhone:
a Apple conseguirá recuperar protagonismo na corrida da inteligência artificial?
Durante décadas, a empresa mostrou que nem sempre é preciso chegar primeiro.
O iPod não foi o primeiro tocador digital. O iPhone não foi o primeiro smartphone. O Apple Watch não foi o primeiro relógio inteligente.
A especialidade da Apple sempre foi outra: transformar tecnologias complexas em experiências simples o suficiente para alcançar centenas de milhões de pessoas.
É exatamente por isso que setembro merece atenção.
A próxima grande disputa da IA talvez não seja apenas sobre quem possui o modelo mais poderoso. Será sobre quem consegue colocar inteligência artificial no cotidiano de forma tão natural que o usuário praticamente deixe de perceber que está utilizando IA.
A inteligência artificial começa a sair da tela
Entre 4 e 8 de setembro, a IFA, em Berlim, uma das principais feiras de eletrônicos de consumo do mundo, deverá oferecer outra janela para essa transformação.
A tendência é vermos inteligência artificial cada vez mais incorporada a computadores, televisores, eletrodomésticos, dispositivos vestíveis, robôs domésticos e soluções para casas conectadas.
Durante os últimos anos, nossa principal experiência com IA aconteceu diante de uma caixa de texto. Escrevemos uma pergunta e recebemos uma resposta.
Esse modelo continuará existindo. Mas estamos caminhando para algo maior.
Estamos passando da IA que acessamos para a IA que nos acompanha.
Ela estará no telefone, no computador, no carro, nos óculos, nos eletrodomésticos e em uma nova geração de dispositivos que tenta descobrir qual poderá ser a próxima grande interface depois do smartphone.
Existe um paradoxo interessante nisso.
Quanto mais presente a inteligência artificial estiver em nossas vidas, menos provavelmente perceberemos que estamos usando inteligência artificial.
Aconteceu algo semelhante com a internet.
Ninguém acorda pensando na quantidade de protocolos, servidores e redes utilizados durante o dia. Nós simplesmente usamos a internet.
O verdadeiro sinal de maturidade da IA talvez chegue justamente quando pararmos de dizer que estamos usando IA.
Do chatbot para o agente
Novas platafotma com agentes prontos de pateleria
Mas provavelmente uma das transformações mais importantes de setembro acontecerá longe das filas para comprar novos smartphones.
Open IA anuncia abertura de filial no Brasil
ITA fecha uma parceria com Open ai
Ela estará dentro das empresas.
Estamos entrando na era dos chamados agentes de inteligência artificial.
A diferença entre um chatbot e um agente parece pequena, mas é enorme.
Um chatbot responde. Um agente executa.
Em vez de apenas perguntar a uma inteligência artificial como organizar uma viagem, por exemplo, poderemos autorizar um agente a pesquisar opções, comparar preços, organizar horários e executar diferentes etapas do processo.
Dentro das empresas, a transformação pode ser ainda maior.
Agentes poderão analisar documentos, acompanhar indicadores, pesquisar fornecedores, preparar relatórios, alimentar sistemas, atender clientes e executar sequências inteiras de tarefas que hoje exigem várias etapas de trabalho humano.
Grandes encontros empresariais previstos para setembro deverão reforçar justamente essa discussão sobre agentes, automação e o futuro do trabalho.
Por isso, a pergunta dos executivos começa a mudar.
Durante os últimos anos, muitas empresas perguntaram:
“Como podemos usar inteligência artificial?”
Agora uma pergunta mais importante começa a surgir:
“Quais processos da nossa empresa podem ser executados ou coordenados por agentes de inteligência artificial?”
Essa mudança terá consequências profundas sobre produtividade, modelos de gestão e mercado de trabalho.
Não se trata simplesmente de substituir pessoas por máquinas.
Trata se de redesenhar processos considerando que, pela primeira vez, uma parcela relevante da capacidade de execução poderá ser digital.
As empresas que apenas adicionarem IA aos processos antigos poderão ganhar eficiência.
As empresas que redesenharem seus processos pensando em humanos trabalhando ao lado de agentes poderão construir uma vantagem muito maior.
Por trás da IA existe uma gigantesca máquina física
Existe, entretanto, um detalhe que frequentemente desaparece quando conversamos com uma inteligência artificial.
Toda essa inteligência precisa morar em algum lugar.
Por trás da aparente simplicidade de uma pergunta feita a um sistema de IA existe uma infraestrutura gigantesca formada por chips, servidores, redes, data centers e eletricidade.
Por isso, setembro também deverá reforçar uma das grandes discussões de 2026: a infraestrutura da inteligência artificial.
Eventos da indústria de semicondutores em Taiwan e na Índia deverão colocar novamente os chips no centro da discussão. Outros encontros dedicados à infraestrutura de IA colocarão capacidade computacional, redes e energia na agenda dos executivos.
A equação é relativamente simples.
Quanto mais inteligência artificial utilizamos, maior a necessidade de capacidade computacional.
Quanto maior a capacidade computacional, maior a demanda por chips e data centers.
E quanto mais data centers construímos, maior é a necessidade de energia.
Chegamos então a uma questão que pode se tornar decisiva para os próximos anos:
o próximo grande gargalo da inteligência artificial talvez não seja inteligência. Pode ser eletricidade.
Data centers precisam ser construídos. Redes elétricas precisam ser ampliadas. Novas fontes de energia precisam ser conectadas. Chips avançados precisam ser fabricados em escala.
A inteligência artificial parece virtual, mas sua infraestrutura é profundamente física.
E isso transforma tecnologia também em geopolítica.
Países capazes de garantir energia, semicondutores, infraestrutura digital, talentos e capital poderão conquistar uma vantagem estratégica cada vez maior.
No século passado, países disputaram petróleo.
Neste século, poderão disputar também capacidade computacional.
A próxima batalha será pela confiança
Existe ainda outra transformação que setembro deverá deixar cada vez mais evidente.
Quanto mais poderosa fica a inteligência artificial, mais importante se torna saber em quem e no que podemos confiar.
Deepfakes estão mais convincentes. Vozes podem ser clonadas. Identidades podem ser simuladas. Fotografias, vídeos e textos artificiais podem circular em uma escala que seria inimaginável poucos anos atrás.
Ao mesmo tempo, agentes de IA começam a receber permissão para executar tarefas.
Esses dois movimentos juntos criam um desafio completamente novo.
Durante décadas, segurança digital significava principalmente impedir que alguém não autorizado entrasse em um sistema.
Harlen Duque
01/09/2026